quarta-feira, 1 de junho de 2011

EXEMPLAR DE MODA

Mary Katrantzou, inspirou-se em design de interiores de edições antigas da revista Arqchtectual Digest e World of Interiors.
As estampas misturam jardins, varandas, salas de estar, banheiros e são usaveis. É uma mistura entre moda e arquitetura.





Ronaldo Fraga, trouxe para sua coleção inverno 2011 a arquitetura de Brasília, precisamente os azulejos de Athus Bulcão.









BREVE HISTÓRICO

O Construtivismo Russo reflete de muitas maneiras um contexto histórico marcado por grande sofrimento, inovações tecnológicas e industriais, uma mudança de paradigma marcada pela rapidez e eficiência e mais, uma inovação política sem precedentes na História.

É um período cuja marca indelével é a Primeira Guerra Mundial (1914 – 1918), desestruturando vidas, separando pessoas, matando e mostrando a face destrutiva das novas conquistas industriais: pela primeira vez aviões são usados em combate (CANTON, 2002, p. 37).

A Rússia é uma nação assolada por guerras de fronteiras, seguida pelo envolvimento na Primeira Guerra Mundial, marcando um período de mortes, desabastecimento e fome, agravado por uma situação trabalhista que beira a escravidão, mantendo camponeses e operários na mais absoluta pobreza, estimulando greves e revoltas populares; por outro lado, a decadência do regime czarista é determinada por uma política interna desastrosa capaz de fazer acordos com os trabalhadores para em seguida, alcançados os objetivos, descumpri-los e, no limite, abrir fogo contra os trabalhadores rebelados. O próprio poder do Czar é questionado e progressivamente cerceado pela Duma, Parlamento russo. No começo de 1917 o Czar é deposto iniciando-se a Revolução Russa, que será palco de intensa guerra civil, terminando com a vitória dos bolcheviques e a instauração da ditadura do proletariado.

Neste clima de desespero, rebelião e luta surge o Construtivismo Russo que vem propor uma visão da arte para o social e, alinhada à novidade política e social que então se origina e impõe, busca reinventar a arte, rejeitando a representação realista. Para tanto, utiliza-se de uma representação geométrica, com formas simplificadas que devem retratar um novo ser humano, em um mundo industrial, rápido e eficiente, onde até a guerra se faz com máquinas; projeta-se assim uma sociedade igualitária na qual todas as pessoas têm os mesmos direitos e deveres (CANTON, 2002, p. 55).

No livro Construtivismo, de George Rickey, há um estudo detalhado sobre as origens e evolução do Construtivismo, bem como seus desdobramentos, os herdeiros e suas obras. Chama atenção o trecho sobre o contexto da publicação do manifesto:

Esse manifesto foi um grande evento em Moscou. Para entendermos a situação, devemos nos imaginar em Moscou em 1920. A guerra civil assolava o país. Havia uma guerra contra a Polônia em nossas fronteiras. E havia fome na cidade, que aliás se encontrava sob lei marcial. De repente, na manhã de 5 de agosto, nos espaços reservados nas ruas para ordens e decretos governamentais, apareceram cartazes intitulados O manifesto realista. É importante notar que nos anos anteriores o povo se acostumara à palavra ‘manifesto’ para designar um anúncio oficial, por parte do czar, de uma proclamação em favor do povo. Naturalmente, o povo de Moscou apressou-se em ler o manifesto, entendendo se tratar de um decreto governamental. Largas multidões se reuniram em cada esquina onde o manifesto fora afixado, e, em alguns lugares, organizaram-se até mesmo assembléias... Os círculos intelectuais de Moscou leram, entenderam e debateram-no. Notícias de que os artistas tinham também organizado uma exposição na avenida Tverskoy ao ar livre atraíram a multidão, e somente com o cair da noite é que ela finalmente se dispersou. Debates sobre o conteúdo do manifesto tinham ganho as ruas, e depois prosseguiram no interior das residências estudantis e nas salas de palestras das Vkhutemas. Todos sabiam que Gabo era o autor do manifesto, e ele, sozinho, naquele momento, tinha de rebater os ataques críticos e elucidar o conteúdo do texto para os interessados (RICHEY, 2002, p. 49).

Desta forma, tendo em vista o aspecto histórico e social, o que mais chama atenção é o envolvimento ideológico do Construtivismo Russo, de caráter marxista, com o novo regime socialista implantado pela Revolução Russa. Segundo Aaron Scharf, o construtivismo tão pouco pretendia ser uma arte, mas apenas um instrumento de propaganda e difusão do regime socialista.

Em seu âmago, era acima de tudo a expressão de uma convicção profundamente motivada de que o artista podia contribuir para suprir as necessidades físicas e intelectuais da sociedade como um todo, relacionando-se diretamente com a produção de máquinas, com a engenharia arquitetônica e com os meios gráficos e fotográficos de comunicação. Satisfazer as necessidades materiais, expressar as aspirações, organizar e sistematizar os sentimentos do proletariado revolucionário – eis o objetivo: não arte política, mas a socialização da arte (STANGOS, 1991, p.116).

Este era, digamos, o lado construtivista utilitário seguido por Vladimir Tatlin, autor de Contra-relevo de Canto, 1915.

Outro exemplo deste viés ideológico marxista e utilitário é a obra, eminentemente propagandista de El Lissitzky, A História de Dois Quadrados, de 1922.

Porém, há entre os construtivistas aqueles cuja arte não-figurativa busca a poesia − livre de ideologias, conforme proclamado por Kasimir Malevitch e seu Suprematismo. É o caso dos irmãos Pevsner, sendo o mais novo, Naum Gabo, autor do Manifesto Realista de 5 de agosto de 1920.

Há, portanto, duas correntes no Construtivismo Russo, divididas não pela forma, pois ambas buscavam a arte não-figurativa, utilizando-se de formas geométricas simples e de materiais industriais, mas pela intenção e objetivo, pelo engajamento ou pela busca espiritual. Conforme Rickey

Há, portanto, duas correntes no Construtivismo Russo, divididas não pela forma, pois ambas buscavam a arte não-figurativa, utilizando-se de formas geométricas simples e de materiais industriais, mas pela intenção e objetivo, pelo engajamento ou pela busca espiritual. Conforme Rickey

Em 1920, após a revolução as linhas artísticas haviam sido traçadas em Moscou. A discussão de projetos e filosofias de arte era bastante aberta, apesar das controvérsias. De um lado, achavam-se os que acreditavam que os trabalhadores da arte deveriam servir às massas, deveriam ser compreensíveis a todos e usar técnicas e materiais industriais. Tal posição era incitada por Tatlin, Rodchenko e, posteriormente, por El Lissitzki, que tendo conhecido Malevitch em 1919 aderira à ideologia do ‘objeto’ no ano seguinte. Na opinião de Gabo, Tatlin não era um pensador, não tinha nem a experiência nem a formação para o trabalho ‘construtivo’; brincava com as experimentações, mas era desajeitado e possuía lacunas técnicas. Antoine Pevesner comentou posteriormente, em entrevista de 1956, que, apesar de todas as teorias utilitárias, Tatlin nunca fizera um projeto que pudesse ser executado. No entanto, ele e seus seguidores atrelaram sua posição estética ao marxismo de forma tão eficiente que atacá-las era como atacar um dogma. Na verdade, o status quo de Tatlin era tão forte que ele foi encarregado de projetar o imenso Monumento para a III Internacional (RICKEY, 2002, p. 45).

Durante a década de 1920 Tatlin e os seus permaneceram à frente do movimento das artes na Rússia, construindo a estética desta nova sociedade marxista em oficinas onde davam aulas, todos atuando em múltiplos campos, uma vez que, para eles, não existia “arte superior”. Por outro lado, a pintura e a escultura não foram totalmente descartadas, mas passaram a ser vistas como parte de um processo que culminaria na construção de objetos úteis (STANGOS, 1991, p.118). O regime, porém, começa a endurecer-se; em 1921 Pevsner, Kandinsky e Malevitch tiveram seus estúdios fechados subitamente. Gabo, prevendo a censura à livre expressão na União Soviética, recebeu autorização para viajar para Berlim e não retornou (RICKEY, 2002, p. 51).

Nos anos 30, sob o governo de Stálin, todas as pesquisas da arte moderna foram proibidas, consideradas formas de rebeldia, restando apenas o chamado realismo soviético, uma arte convencional, que reproduz a realidade exatamente como ela é (CANTON, 2002, p. 56).


BIBLIOGRAFIA:

CANTON, Katia. Retrato da arte moderna: uma história no Brasil e no mundo ocidental (1860-1960). São Paulo: Martins Fontes, 2002.

JANSON, H. W. Iniciação à história da arte. 2ªed. São Paulo. Martins Fontes, 1996.

PEDROSA, Mário. Forma e percepção estética: Textos escolhidos II. São Paulo: Editora da Universidade de São Paulo, 1996.

RICKEY, George. Construtivismo – origens e evolução. São Paulo: Cosac & Naif, 2002.

SCHARF, Aaron. Construtivismo IN: STANGOS, Nikos. Conceitos da arte moderna. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed., 2000.

CARACTERÍSTICAS

Uma das principais características do construtivismo foi uso de materiais industriais, como ferro, vidro e madeira, em suas obras. Segundo os construtivistas, cada material tem seu valor estético, e cada método de trabalho é definido pelos materiais. Apreciavam as formas simples, principalmente geométricas, e repudiavam os exageros ornamentais do passadoavam as formas simples e repudiavam os exageiros ornamentais.tilidades, e que n. Eles não queriam ser vistos apenas como artistas, mas sim, com especialistas em arte, trabalhando em laboratório. Além disso, também se viam como artistas, e tamb e muito menos, queriam ser titulados como artistas.s de engenharia. cientistas e dos engenheiro não queriam que seus trabalhos fossem vistos como obras de arte, mas sim como projetos de engenharia.

Naum Gabo, um dos representantes do construtivismo, expressa muito bem esses conceitos em seu “Manifesto Realista”:

“Construímos nosso trabalho assim como o universo constrói o seu, como o engenheiro constrói suas pontes. [...] Ao criarmos coisas, tiramos [...] tudo o que lhes é acidental e local, deixando apenas o ritmo constante das forças nelas presentes.”

Gabo,Naum. “Realist Manifesto”, in Gabo. Cambridge, ifeseto"s nelas presentes." runiverso constroi Massachusetts, Harvard University Press, 1957. Pp. 151-2; assinado por Naum Gabo e Noton (Antonie) Pevsner, Segunda Editora Estatal, Moscou, 5 de agosto de 1920.

Outra característica importante do construtivismo foi a exaltação da profundidade ao volume. Isto é, as obras, ao invés de terem uma forma traçada pelo volume, esta forma se dá pela profundidade dos espaços vazios. Um exemplo dessa característica é a obra Cabeça Construida, de Naum Gabo.

Cabeça Construida, Naum Gabo

Os construtivistasracional, calculconstruidas te, trabalhando em laborat acreditavam que no novo mundo que estava sendo criado, o artista deveria ocupar seu lugar ao lado dos cientistas e engenheiros. Para isso, as obras deveriam ser construídas a partir de um princípio racional e calculável, que tivessem utilidade, ao invés de serem feitas apenas da arte pela arte. A todos esses princípios, atualmente, chamamos Design.